domingo, 28 de julho de 2013

Velhos (Des)conhecidos

Nós, que fizemos promessas implícitas em silêncios
Que falamos sobre absolutamente tudo, sem pudores
Que estivemos juntos mesmo quando não estávamos perto
Nós, que contamos segredos, compartilhamos aflições, desabafamos angústias
Que abraçamos alegrias
Que trocamos olhares, juntamos bocas e entrelaçamos mãos.
Nós, que nos fizemos entender em pensamento
Que dissemos muito, mas queríamos ter dito mais... Feito mais.
Nós...
Velhos (des)conhecidos, dois seres aleatórios entre muitos, com tom cordial, palavras medidas, insegurança na fala
Nós, que bagunçamos lençóis, hoje arrumamos desculpas
Duas formalidades, uma parede.
Um abismo unido apenas por um fio de memória que ambos fingem não existir
Como velhos desconhecidos desinteressados, em uma relação esporádica superficial
Nós, um incômodo, um constrangimento, uma casualidade.
Voltando ao ponto de partida
A minha partida. Tão necessária. E, finalmente, concreta.
Nós. Eu e você. Eu, você. Velhos. Desconhecidos.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Vazio

Todos os "quase" me atormentam de uma vez só, como gotas infinitas caindo sobre uma superfície de madeira em noites de insônia.
Imagino todos os acontecimentos passando diante de meus olhos, tão rápidos como árvores ao longo de uma estrada, a lugar nenhum.

Não é um arrependimento, é um descontentamento acomodado. A saudade que não matei, o livro que não li, as viagens que não fiz e as coisas que não disse. Que se tivesse uma nova oportunidade, também não os faria.

Pouco importa. Qualquer tédio que me consuma, qualquer alegria que me entristeça. Porque estou em um estado de constante nada, toda e qualquer coisa nenhuma habita meu ser.

Umas poucas palavras que nada dizem, sons que não escuto e pessoas que não vejo. Um incômodo cômodo.

Um vazio por si só, que me preenche por completo.