sexta-feira, 27 de abril de 2012

Tudo a mesma coisa de sempre

Engraçado esse ar de superioridade nas redes sociais. Um é porque tem as "melhores" fotos, outro é porque fez uma viagem que pagou em 24x inesquecível. Essa incansável disputa de quem tem a melhor vida, a melhor piada, a pia com mais louça para lavar.

Na época das cavernas, seria a melhor pintura rupestre presenteada com um singelo "curtir"?
Iriam os rebeldes e hereges, na Idade Média, se encontrar no vão do MASP para fazer protesto debaixo de chuva? Mistério.

Em um dado momento, algumas pessoas vão cansar de correr, de tentar ultrapassar, de se esforçar para sempre estar na frente. Vão notar quão patéticas suas vidas são e quão involuídas suas ideias se mostram. É toda uma pré-história com tablets. (convenhamos que o homo nem erectus está mais, quem dirá SAPIENS).

Toda esta necessidade mórbida de autoafirmação e exibicionismo é uma ode à mediocridade.

Dizem ser amargo aquele que vê a realidade, fala sobre, para, quem sabe, abrir os olhos de alguém. O remédio é amargo, mas proporciona a cura. Camuflar a dor com arco-íris e flores só adia o que cedo ou tarde vai acontecer e, quanto mais demora, mais difícil é a cura e maior é a dor.

Nunca conheci quem tivesse levado porrada/ todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo (...)

Se toda essa energia que cria personagens, edita vidas e satisfaz o ego fosse colocada em prática para um bem maior, não uma necessidade mórbida, mesmo que individual. Toda necessidade mórbida, que não fisiológica, há de ser uma doença.

E depois de toda mediocridade e ignorância: abençoados são estes, pode-se concluir - que gastam seus preciosos (e ociosos) tempos planejando seus eus, enquanto uns e outros enlouquecem pensando em todo este processo.

Confortante saber, pelo menos, que o pensamento é livre.


Recomeço

Não bastasse eu estar cansada de todas as minhas postagens pernósticas, também resolvi renovar este blog.