sábado, 23 de abril de 2011

Flores ou Bombons?

Embora muita coisa tenha se perdido comparando os relacionamentos atuais com os antigos, uma parte essencial, tradicional permanece: o metódico, o planejado, o padrão. O que se dependesse dos homens, teria deixado de existir muito antes de começar. Cortejar é só uma maneira gentil, um eufemismo para "quero acasalar". Contudo, toda essa bagagem que vem com um namoro é o que faz metade das pessoas desistir, mas também o que move a outra metade.

Toda essa pressão em relação às datas comemorativas: Páscoa = obrigatório Ovo, Dia dos Namorados = obrigatório combo flores + chocolate + restaurante bom (varia de casal pra casal), sem contar Natal, aniversário de namoro, individual... (as datas não tem fim)... Pelas namoradas, todo dia seria um dia comemorativo, DIGO CANSATIVO.

As pessoas não conseguem se contentar com o abstrato, precisam pegar, ver, ouvir. Precisam dar nome aos bois. Mesmo estando no século XXI, agarram-se a essas formalidades, consequências capitalistas. Motivo também de uma eterna competição: comparar, mostrar, exibir presentes e anéis de compromisso. Besteira, só quem compreende mais a fundo que um relacionamento não se faz de exigências, padrões e métodos sabe que o importante é estar com quem gosta fazendo o que gosta, o que der na telha, sem seguir datas, não existem ingredientes ou "modo de preparo". E que, deixando de lado a parte em que todos são inconscientemente manipulados pelo capitalismo, é cansativo, entediante. É rotina mesmo antes do casamento.

Essas datas criam um tipo de CRONOGRAMA de namoro, o qual a maioria segue fielmente. Onde está a espontaneidade nisso tudo? Muitos não conseguem enxergar que o problema em seus relacionamentos está exatamente aí: nas exigências, quase como uma tarefa do trabalho a ser cumprida.

Por isso a necessidade mórbida em demonstrar felicidade e plenitude familiar mesmo com tudo desmoronando, por isso alianças cada vez maiores e casamentos cada vez mais caros. Por isso as fotos sorrindo e os convites para noivados.

O ideal mesmo é PARECER feliz, não ser.

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