domingo, 21 de novembro de 2010

Uma palavra vale mais do que mil atos

Não é de hoje e nem vai mudar: as pessoas se preocupam com a aparência. Não importa o passado de alguém, contanto que o ser seja simpático, amigável e te trate bem. Assim a sociedade foi construída: você compra do vendedor mais convincente e agradável, confia mais na pessoa que te dá mais sorrisos, acredita no pedinte que tem mais cara de coitado e vota no político que mais sabe articular as palavras. Não é à toa que ESTELIONATÁRIO virou um OFÍCIO, pessoalmente, pelo telefone e agora incluído digitalmente: via internet. Ou vai contestar o fato das pessoas serem facilmente manipuladas e enganadas por uma boa apresentação?
Pois bem, sorrisos não me convencem. Desconfio de simpatia demais, ninguém é assim 24 horas.

Não é a fé que perdi na humanidade, é a fé que eu nunca tive.

Ser mal humorado e rabugento te causa mais má impressão do que ter cometido um crime mas sair por aí distribuindo bom humor e sorrisos. Ninguém está preparado para ouvir o que a alguém pensa de verdade, saber o que se passa lá no fundo, pra sinceridade, pra realidade. Todo mundo é cheio de opinião e personalidade, quer salvar o mundo numa cadeira giratória, quer comer pensando nas crianças esfomeadas do Zâmbia, mas WHO CARES? O pouco sentimento de culpa passa na primeira garfada e muitos nem o tem, só fingem. Mas dizer: isso é que não pode.

Isso já vem de longe quando eu era criança e meu irmão fazia as coisas, a culpa caía sobre mim e só por argumentar me tornava um ser pior que meu irmão (autor da peripécia) que ficava calado. Assim será sempre, mas adianto que meu silêncio só vai acontecer no dia em que eu morrer, vou defender o que penso mesmo que isso me custe pessoas (se custar é porque não valiam). Porque por trás das suas roupas e perfumes caros está mais um corpo que um dia entrará em decomposição, com ar de quem fez algo pela humanidade, mas na verdade, como todos, só falou, no fundo todos sabem, mas na prática: é só o que conta.

Já dizia o ditado: Mais vale um filho da puta simpático do que um íntegro rabugento.

2 Confissões:

amandaclarck disse...

Basicamente, seu post me definiu. Acredito em tudo o que você falou e realmente desconfio de simpatia demais. Odeio falso moralismo disfarçado com sorrisos.

Um Eremita disse...

Como diz o Lobão, é muito "bom mocismo" por metro quadrado. Não dá pra tanta boa intenção assim ser verdade. Se fosse, o que explicaria o mundo ainda não ser perfeito?