Ultimamente ando com essa preguiça das coisas. De me relacionar com pessoas, de ver gente. Sem vontade de responder uma pergunta, atender a porta. E isso não é por conta apenas de decepções, há tempos não tenho uma grande, apesar de muitas pequenas no dia-a-dia, involuntárias por parte dos seres, que são assim, naturalmente insossos.
Não sei se é essa minha capacidade de enxergar além, além de qualquer palavra ou aparência, de analisar mínimos detalhes de uma personalidade ao conhecer por apenas poucos minutos alguém e ficar desgostosa logo de cara. Mas na realidade, não há sequer um indivíduo que eu tenha conhecido que não tenha me trazido essa péssima sensação no estômago, esse sentimento nauseante de perceber esse defeito irritante, de ler nas entrelinhas e me sentir no direito de desprezá-lo por isso. Gana de fugir pra qualquer lugar, que passa quando a certeza de que será igual a todos me toma.
Essa compaixão que vez ou outra tenho por um ser humano, que muito em breve passa quando encontro vestígios de sua personalidade. Na rua, uma mulher com vários filhos pede esmola. COITADA! Eu penso de cara, no minuto seguinte penso que não deveria ter colocado tanto filho no mundo, que não cabe a mim ajudar e que detesto gente que tem pena de si mesma.
O mundo nada mais é do que uma eterna filmagem em que todos querem se sobressair. E minha preguiça de brigar por isso.. me define. Quero estar no fundo, escondida, quando esse vídeo for ao ar. Talvez por pura vaidade, por me achar melhor que os outros e não querer me misturar.
Vejo sempre segundas intenções, em todos os atos, de todas as pessoas. Dizem que medimos os outros com nossa própria régua e que quem tende a ver maldade nas pessoas, tem maldade em si. Todos tem maldade em si, não é algo absolutamente ruim, faz parte do equilíbrio do ser, embora alguns pratiquem mais. Busco julgar com imparcialidade, mas acabo tendendo para o pior lado, que, para mim, pesa mais. Talvez porque o lado bom pareça não fazer diferença na balança.
E aí me pergunto o que faço aqui. Se em todo e qualquer indivíduo que conheço.. existe uma parte, que mesmo obscura, me irrita, me incomoda, me enoja. Que, aos meus olhos, fica escancarada, gritante, impossível passar despercebida. Escrevo com qualquer sentimento de desespero... na esperança de que tirando essas palavras da minha cabeça, elas não voltem mais.
"Queria vomitar o que vi, só da náusea de o ter visto.."

4 Confissões:
Eu sei o que é isso... A cada dia que passa minhas ambições ficam mais e mais pequenas, a cada dia que passa eu não quero ser um destaque no meio de todos, como você falou ali, quero viver a minha vidinha e só, não vender ela na forma de compaixão e solidariedade para as outras pessoas.
Isso me deixa um tanto quando aflita, e o mais engraçado é que não tenho medo de me decepcionar, eu tenho medo de decepcionar os outros sendo o que realmente quero ser, e tudo isso me dá mais preguiça ainda do mundo e das pessoas, ZZZZZZZZzzz.
Eremitismo puro. Só não digo "bem-vinda (ou benvinda, sei lá) ao clube" porque, assim como você, não quero clube, destaque ou sequer companhia.
Isso não é bem um comentário. É só porque o imbecil aqui esqueceu de marcar a opção "Enviar por e-mail comentários de acompanhamento para....".
De qualquer forma, me sinto na obrigação de complementar o comentário com alguma coisa. Então me lembrei que, na minha dispensável opinião, o passo seguinte no eremitismo é o solipsismo. A gente chega lá. Não necessariamente juntos.
Isso é uma fase. Ninguém consegue ser feliz sozinho, chega uma hora que tu vai sentir necessidade de estar em contato com outras pessoas. E um hora dessas, encontará gente que pensará como você. Sei porque já passei uma fase assim ! Beijos !
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